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Debatedores listam desafios para formação de lideranças públicas

Por Diário dos Municípios em 05/10/2021 às 19:05:59
Tiago Mitraud, que conduziu o seminário, e Kiki Mori, consultora em gestão

Conforme ressaltou o presidente da Comissão Especial da Reforma Administrativa, deputado Fernando Monteiro (PP-PE), a PEC 32 trata, entre outros pontos, justamente de liderança. “É fundamental a atração, a seleção de líderes. Mas é mais fundamental a retenção de líderes. No Brasil, muitas vezes perdermos grandes líderes, que, desmotivados, saem do serviço público”, enfatizou.

Desafios
A atratividade do cargo de liderança pública no Brasil foi um dos desafios apontados por palestrantes. “As responsabilidades que as lideranças vão ter que assumir em relação a remuneração, ao local, nem sempre são compatíveis com o mercado de trabalho brasileiro. A gente precisa considerar isso”, disse consultora em gestão Kiki Mori.

Ela também listou como desafios os aspectos de diversidade, especialmente em relação a raça e gênero e as desigualdades territoriais enormes. “Cargos de liderança regionais são os mais desafiadores. Exatamente na região que mais precisa de políticas públicas, é onde você encontra menos pessoas qualificadas. Ou não consegue levar para esses lugares pessoas que talvez tenham o perfil, seja por remuneração, seja por estar distante do seu local de origem”, afirmou.

Influência política
Os participantes do seminário chamaram atenção ainda para a grande influência política na escolha de lideranças públicas.

Segundo o representante da OCDE, Daniel Gerson, o processo de escolha deve levar em consideração o fato de que tais cargos exigem habilidades complexas, voltadas não apenas para as autoridades, mas para o setor público como um todo e o privado também.

“As habilidades da liderança administrativa são importantes. Elas são as pessoas que vão transformar a direção política em programas concretos, serviços, intervenções que trazem impacto na base”, explicou Gerson.

Na opinião de Kiki Mori, é preciso construir a blindagem desses cargos de liderança. O gestor, ressaltou, tem que poder gerenciar sua equipe sem interferência externa.

O diretor de Recursos Humanos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), David Bearfield, acrescentou que a seleção de lideranças deve dispor de ferramentas estabelecidas, com critérios de seleção de candidatos. A entrevista, por exemplo, deve ser baseada na competência e possivelmente feita por profissionais da área.

Cargo em comissão
Também os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Antonio Anastasia (PSD-MG) criticaram a cultura do cargo em comissão existente no Brasil.

Na opinião de Anastasia, a reforma administrativa deve reduzir o máximo possível os cargos de livre provimento e estimular que lideranças sejam escolhidas entre servidores de carreira, qualificados nesse sentido.

Alessandro Vieira, por sua vez, é autor do Projeto de Lei 3769/19, que institui critérios para a contratação e a ocupação de cargos em comissão e funções gratificadas. A proposta está em análise no Senado.

“O projeto traz critérios objetivos e transparentes para a contratação, em benefício do interesse público, não do político que ocupa o cargo. Para isso, você tem que selecionar pessoas da forma mais ampla possível, exigindo requisitos de qualificação técnica e que possam ser aferidos no tempo”, defendeu Vieira.

Além disso, cada vez mais, segundo os debatedores, os líderes do serviço público devem inovar, possuir visão estratégica e lançar mão de tecnologias digitais, uma vez que o trabalho deve se basear em dados.

Também participou do seminário o especialista em gestão pública na Austrália Graeme Head.

Fonte: Agência Câmara

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